Boi morto e morangos à mão...
Olá, amigos, hoje vou contar pra voces uma história legal da minha
infância, ou melhor, da minha adolescência, lá pelos meados dos
anos cinquenta, quando eu estava nos meus trez, catorze...
Essa história tem ligação com o meu pai, cuja presença permitiu
sua existência, pois o meu pai muito amado, a história não
teria acontecido. E isso não digo porque foi o espermatozóide dele que
me gerou, não. Dgo, porque ele é a parte importante na história,
pois a história aconteceu justamente emvirtude do
trabalh d meu pai na época. Be, Ee trabalhava no Estado, como dizia,
era "barnabé", e isso se deu quando o "barnabé" estava encarregado
do Núcleo holandês de Tijuquinha...então ele dava assistência aos
colonos, e sei que era muito querido e amigo, e era mesmo um
entrosamento fácil, pois a agricultura e o gado eram também grandes
interesses do meu pai. Não me lembro exatamente quando foi.
Mas o telefone tocou peindo que o meu pai fosse até uma fazenda
e levasse consigo um veterinário pois uma rês aparecera morta.
Meu pai assim o fez, pegou seu jipe de trabalhar, pegou o
doutor veterinário e tocou-se para lá, me levando também.
Não me lembro mais do médico nem dos colonos, mas esse
boi morto e a plantação de morangos jamais esquecerei.
É uma lembrança recorrente no meu imaginário a cena
do senhor veterinário dissecando o animal morto, começando
por tiar-lhe o pelo da forma mais profissional possível e
aí você vê aquela gordura toda ali transparente e bela.
Essa dissecação levou-me para lugares nunca antes imaginados
dentro do silêncio da hora sagrada do trabalho dos que
ali estavam participando. Imagino quão lugares "nunca dantes
navegados" eu tenho percorrido desde então levado por essa
sublime experiência...Mas, uma hora, a criança, o jovem se
cansa e deixa o grupo, e aí, brincando sozinho, se percebe dentro de uma
grande plantação de morangos...hummmmmm.....morangos irrigados
continuamente por canos de água instalados estrategicamente.
Os morangos a tua mão, a água, a terra, o céu, o boi morto,
colono, médico de bicho, a segurança maior na figura do pai eterno -
sim, porque meu pai sempre me passou essa segurança de
eternamente unidos não importa o que seja...
Quando ´cursei o Bacharelado de Artes Plásticas,
Gravura, no Ceart/Udesc, eu tive oportunidade de
reviver esses momentos. O do boi, ao conhecer o
artista alemão Joseph Beyues, olhar seus livros,
vida....
E também, quando eu fiz têmpera (do Leo, tá!!!)
com a grande artista e professora Yara Guasque,
fiz um quadro em têmpera que foi muito baseado
na plantaçãode morangos e sua irrigação.
Um abraço fraterno para todos...
espero que gostem dessa minha história...
Ele vinha sem muita conversa, sem muito explicar.......
LOVE
murilo-antonio
Escrito por Murilo Antonio Pereira às 17h25
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